E entendeu que os milagres mais bonitos acontecem por dentro.
Bem Vindo
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Nunca te esqueças que pensar faz bem a todos e sejam felizes =)
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quarta-feira, 9 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Uma rapariga segurava nas suas mãos duas maçãs. A sua mãe chegou e pediu-lhe com uma voz doce e um belo sorriso:
- Querida, poderias dar-me uma das tuas maçãs?
A menina levantou os olhos para a sua mãe durante alguns segundos e morde subitamente uma das maçãs e logo de seguida a outra. A mãe sente o seu rosto arrefecer e perde o sorriso. Ela tenta não mostrar a sua decepção quando a sua filha lhe dá uma das suas maçãs mordidas. A pequena olha para a sua mãe com um sorriso de anjo e diz:
- É essa a mais doce.
Pouco importa quem és, que tenhas experiência. Sê competente ou sábio. Atrasa sempre o teu julgamento. Dá aos outros o privilégio de se poderem explicar. Mesmo se a acção parece errada, o motivo pode ser bom.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Na memória da Igreja nascente, marcada pela experiência pascal, a história da salvação de Israel revela, por conseguinte, uma clara estrutura trinitária: o Deus dos pais guia e orienta esta história até Cristo, seu Filho, actuando no Espírito Santo, especialmente através dos profetas. A Trindade é a chave de compreensão da historia salutis!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
«Ao entregar-me ao mistério extraordinário e inatingível de Deus, surge em mim, em qualquer altura, um Deus completamente diferente, sem que disso tenha consciência. E então deixo de me questionar porque é que Ele permite o sofrimento. Olho apenas para o escuro abismo de Deus, para lá descobrir a luz do seu amor que silencia as minhas perguntas.»
In Que fiz eu para merecer isto?
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Mensagem de Sua Santidade Francisco para a XXIV Jornada Mundial do Doente
(Terra Santa - Nazaré, 11 de Fevereiro de 2016)
Tema: «Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)»
Amados irmãos e irmãs!
A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir
particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos
cuidam de vós.
Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na
Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica
das bodas de Caná (Jo 2,1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido – Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.
A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de
Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e
precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar
connosco» (Jo 1,14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão
salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos
refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque
me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a
libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em
liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do
Senhor» (4,18-19).
A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana
e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o
primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer
precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo
está perdido, que já nada tem sentido...
Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por
outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a
doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque
nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo
que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode
ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que
caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue
pela Mãe, Maria, perita deste caminho.
Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um
problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da
alegria da festa. Maria dá-Se conta da dificuldade, de certa maneira
assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito
menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-Se a Jesus e apresenta-Lhe o
problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2,3). E quando Jesus Lhe
faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-Se (cf. v. 4), Maria
diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus
realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho,
um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento
podemos tirar, para a Jornada Mundial do Doente, do mistério das bodas
de Caná?
O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está
Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos,
as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus
discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na
alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de
seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não
rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento
para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o
coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que
desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha
fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança,
fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de
Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo
bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o
Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em
toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles
que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos
recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos
de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2Cor 1,3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos.
Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua
missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa
necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos
de doenças, enfermidades e espíritos malignos, dará vista aos cegos,
fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos,
ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc
7,21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria – sugerido
pelo Espírito Santo ao seu coração materno – fez revelar-se não só o
poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia.
Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma
ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os
doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis,
porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à
cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor
idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas
mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em
primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino
de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e
ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt
11,4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles,
algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da
vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo
que o Pai nunca nega a quantos Lho pedem com confiança.
No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são
chamados «serventes» e que d’Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que
Ele vos disser» (Jo 2,5). Naturalmente, o milagre dá-se por
obra de Cristo; contudo Ele quer servir-Se da ajuda humana para realizar
o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas
vasilhas. Mas quer valer-Se da colaboração humana e pede aos serventes
que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser
serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos
faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para
servir» (Mc 10,45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho
dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente:
enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2,7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos.
Nesta Jornada Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus
misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d’Ele e nossa, que nos
conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e,
concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este
serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o
Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de
divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a
realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos
ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como
aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada
no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como
suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se
o Mestre (cf. Lc 9,23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido.
Se soubermos seguir a voz d’Aquela que recomenda, a nós também,
«fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa
vida em vinho apreciado. Assim, esta Jornada Mundial do Doente,
celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os
votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da
Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer
o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres
tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para
melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de
fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e
discriminação» (Misericordiae Vultus,
23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para
promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e
da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para
superar qualquer barreira e divisão.
Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio:
Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado
Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de
mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante
tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos
outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito
Santo, tornando-se instrumento de encontro com o mundo muçulmano.
A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados,
desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia.
«A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos
todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid.,
24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos.
Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente
com as alegrias e consolações, dirigindo-Lhe a nossa oração para que Ela
pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos
de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o
Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus.
Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Setembro – Memória de Nossa Senhora das Dores – do ano 2015.
Francisco
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2016
«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).
As obras de misericórdia no caminho jubilar»
As obras de misericórdia no caminho jubilar»
1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma
deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para
celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus,
17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas
para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra,
especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é
um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente
experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os
Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal
concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat,
a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de
Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja
que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do
Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na
tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo
etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.
2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história
da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se
sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar
sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos
momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto
e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na
justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e
próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido
traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis.
São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele,
Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a
Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus,
8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os
efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta
perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro
ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é
nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu
coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6,
4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua
Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas
núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um
lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a
beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e
ressuscitado» (Evangelii gaudium,
36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de
diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar,
duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a
Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador,
oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e
acreditar» (Misericordiӕ Vultus,
21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus
crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu
afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou
d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o
coração endurecido da sua Esposa.
3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe
experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de
misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa
irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do
próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de
misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se
traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso
próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados:
alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o
desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as
obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar
a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da
pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os
pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15).
Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como
corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de
ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid.,
15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história
do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na
presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica
patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita
reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais
pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a
utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para
sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais
que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua
disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao
ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da
sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que,
nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de
conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira
está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa
sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é
a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas
sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e
mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que
pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de
instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de
pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria
do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e
as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até
mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos
poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à
escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras
corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de
ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam
mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar,
perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais
nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no
miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em
dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta
estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o
Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são,
imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por
eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e
amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos
do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os
soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez
mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu
coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele
abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de
novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão:
«Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta
activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória
definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já
ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na
expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo
pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da
grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente,
reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
Festa de S. Francisco de Assis
Francisco
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
domingo, 7 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
domingo, 31 de janeiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Certo dia, um homem muito rico disse aos seus três filhos que toda a sua riqueza seria para aquele que conseguisse encher completamente aquela casa.
O primeiro pensou e resolveu arranjar todo o ferro que conseguisse para encher a casa. Colocou o ferro, sobrecarregou as estruturas, mas ainda assim a casa não ficou cheia.
Chegou a vez do segundo filho e este tentou encher a casa de algodão. Era fofo, belo, mas demasiado leve e, assim, também não enchia a casa.
E chegou o dia do terceiro filho tentar encher a casa.
- É impossível - diziam os irmãos. Nem com o ferro nem com o algodão enchemos a casa. Não há nada que ele possa arranjar que encha a casa.
E ao vê-lo chegar apenas com uma vela na mão, troçavam dele:
-É com uma vela que pretendes encher esta casa? Nunca irás conseguir!
O pai, apreensivo, perguntou:
- Filho, mostra-me como pensas encher esta casa com uma vela.
- Ao cair da noite, permita-me que lhe encha a casa, pai.
E assim lhe foi concedido. Ao cair da noite, quando toda a casa ficou às escuras, o rapaz acendeu a vela e a casa encheu-se de luz.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
domingo, 10 de janeiro de 2016
Um filho levou o seu pai já de idade a jantar num restaurante. O pai deixou cair a sua comida na camisa e nas calças, os empregados de mesa olharam para ele como se com nojo, enquanto o filho permanecia calmo.
O filho não se envergonhou, levou o seu pai à casa de banho calmamente, e limpou-o. Quando estavam de saída, todo o restaurante estava a olhar em silêncio, não podiam acreditar como alguém poderia se envergonhar a si mesmo daquela maneira em público.
O filho pagou a conta e começou a caminhar para fora do restaurante com o pai.
Naquela altura, um senhor chamou o filho e disse:
- Acho que deixaste algo para trás.
O filho respondeu:
- Não, senhor, eu não me esqueci de nada.
O velho respondeu:
- Sim, deixaste algo para trás! Deixaste uma lição para cada filho e esperança para cada pai.
O restaurante ficou em silêncio.
sábado, 9 de janeiro de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Mensagem do Santo Padre Francisco para a celebração do XLIX Dia Mundial da Paz
1º DE JANEIRO DE 2016
VENCE A INDIFERENÇA E CONQUISTA A PAZ
1. Deus não é indiferente; importa-Lhe a humanidade! Deus não a abandona!
Com esta minha profunda convicção, quero, no início do novo ano,
formular votos de paz e bênçãos abundantes, sob o signo da esperança,
para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do
mundo, e também dos chefes de Estado e de governo e dos responsáveis das
religiões. Com efeito, não perdemos a esperança de que o ano de 2016
nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes
níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é
dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a
todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo.
Conservar as razões da esperança
2. Embora o ano passado tenha sido caracterizado, do princípio ao
fim, por guerras e actos terroristas, com as suas trágicas consequências
de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou
religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões
do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar
uma «terceira guerra mundial por pedaços», todavia alguns
acontecimentos dos últimos anos e também do ano passado incitam-me, com o
novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na
capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não
se rendendo à resignação nem à indiferença. Tais acontecimentos
representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente, perante as
situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e
a indiferença.
Dentre tais acontecimentos, quero recordar o esforço feito para
favorecer o encontro dos líderes mundiais, no âmbito da Cop21, a fim de
se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e
salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum. E isto remete
para mais dois acontecimentos anteriores de nível mundial: a Cimeira de
Adis-Abeba para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento
sustentável do mundo; e a adopção, por parte das Nações Unidas, da
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que visa assegurar, até
ao referido ano, uma existência mais digna para todos, sobretudo para as
populações pobres da terra.
O ano de 2015 foi um ano especial para a Igreja, nomeadamente porque
registou o cinquentenário da publicação de dois documentos do Concílio
Vaticano II que exprimem, de forma muito eloquente, o sentido de
solidariedade da Igreja com o mundo. O Papa João XXIII, no início do
Concílio, quis escancarar as janelas da Igreja, para que houvesse, entre
ela e o mundo, uma comunicação mais aberta. Os dois documentos – Nostra aetate e Gaudium et spes
– são expressões emblemáticas da nova relação de diálogo, solidariedade
e convivência que a Igreja pretendia introduzir no interior da
humanidade. Na Declaração Nostra aetate, a Igreja foi chamada a abrir-se ao diálogo com as expressões religiosas não-cristãs. Na Constituição pastoral Gaudium et spes
– dado que «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias
dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem,
são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos
discípulos de Cristo»[1]
–, a Igreja desejava estabelecer um diálogo com a família humana sobre
os problemas do mundo, como sinal de solidariedade, respeito e amor.[2]
Nesta mesma perspectiva, com o Jubileu da Misericórdia, quero
convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa
maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar
a misericórdia, de «perdoar e dar», de abrir-se «àqueles que vivem nas
mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo
contemporâneo cria de forma dramática», sem cair «na indiferença que
humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a
novidade, no cinismo que destrói».[3]
Variadas são as razões para crer na capacidade que a humanidade tem
de agir, conjunta e solidariamente, reconhecendo a própria interligação e
interdependência e tendo a peito os membros mais frágeis e a
salvaguarda do bem comum. Esta atitude de solidária corresponsabilidade
está na raiz da vocação fundamental à fraternidade e à vida comum. A
dignidade e as relações interpessoais constituem-nos como seres humanos,
queridos por Deus à sua imagem e semelhança. Como criaturas dotadas de
inalienável dignidade, existimos relacionando-nos com os nossos irmãos e
irmãs, pelos quais somos responsáveis e com os quais agimos
solidariamente. Fora desta relação, passaríamos a ser menos humanos. É
por isso mesmo que a indiferença constitui uma ameaça para a família
humana. No limiar dum novo ano, quero convidar a todos para que
reconheçam este facto a fim de se vencer a indiferença e conquistar a
paz.
Algumas formas de indiferença
3. Não há dúvida de que o comportamento do indivíduo indiferente, de
quem fecha o coração desinteressando-se dos outros, de quem fecha os
olhos para não ver o que sucede ao seu redor ou se esquiva para não ser
abalroado pelos problemas alheios, caracteriza uma tipologia humana
bastante difundida e presente em cada época da história; mas, hoje em
dia, superou decididamente o âmbito individual para assumir uma dimensão
global, gerando o fenómeno da «globalização da indiferença».
A primeira forma de indiferença na sociedade humana é a indiferença
para com Deus, da qual deriva também a indiferença para com o próximo e a
criação. Trata-se de um dos graves efeitos dum falso humanismo e do
materialismo prático, combinados com um pensamento relativista e
niilista. O homem pensa que é o autor de si mesmo, da sua vida e da
sociedade; sente-se auto-suficiente e visa não só ocupar o lugar de
Deus, mas prescindir completamente d’Ele; consequentemente, pensa que
não deve nada a ninguém, excepto a si mesmo, e pretende ter apenas
direitos.[4]
Contra esta errónea compreensão que a pessoa tem de si mesma, Bento XVI
recordava que nem o homem nem o seu desenvolvimento são capazes, por si
mesmos, de se atribuir o próprio significado último;[5]
e, antes dele, Paulo VI afirmara que «não há verdadeiro humanismo senão
o aberto ao Absoluto, reconhecendo uma vocação que exprime a ideia
exacta do que é a vida humana».[6]
A indiferença para com o próximo assume diferentes fisionomias. Há
quem esteja bem informado, ouça o rádio, leia os jornais ou veja
programas de televisão, mas fá-lo de maneira entorpecida, quase numa
condição de rendição: estas pessoas conhecem vagamente os dramas que
afligem a humanidade, mas não se sentem envolvidas, não vivem a
compaixão. Este é o comportamento de quem sabe, mas mantém o olhar, o
pensamento e a acção voltados para si mesmo. Infelizmente, temos de
constatar que o aumento das informações, próprio do nosso tempo, não
significa, de por si, aumento de atenção aos problemas, se não for
acompanhado por uma abertura das consciências em sentido solidário.[7]
Antes, pode gerar uma certa saturação que anestesia e, em certa medida,
relativiza a gravidade dos problemas. «Alguns comprazem-se simplesmente
em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com
generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa
“educação” que os tranquilize e transforme em seres domesticados e
inofensivos. Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos
vêem crescer este câncer social que é a corrupção profundamente radicada
em muitos países – nos seus governos, empresários e instituições – seja
qual for a ideologia política dos governantes».[8]
Noutros casos, a indiferença manifesta-se como falta de atenção à
realidade circundante, especialmente a mais distante. Algumas pessoas
preferem não indagar, não se informar e vivem o seu bem-estar e o seu
conforto, surdas ao grito de angústia da humanidade sofredora. Quase sem
nos dar conta, tornámo-nos incapazes de sentir compaixão pelos outros,
pelos seus dramas; não nos interessa ocupar-nos deles, como se aquilo
que lhes sucede fosse responsabilidade alheia, que não nos compete.[9]
«Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente
dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus
problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso
coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e
confortável, esqueço-me dos que não estão bem».[10]
Vivendo nós numa casa comum, não podemos deixar de nos interrogar
sobre o seu estado de saúde, como procurei fazer na Carta encíclica Laudato si’.
A poluição das águas e do ar, a exploração indiscriminada das
florestas, a destruição do meio ambiente são, muitas vezes, resultado da
indiferença do homem pelos outros, porque tudo está relacionado. E de
igual modo o comportamento do homem com os animais influi sobre as suas
relações com os outros,[11] para não falar de quem se permite fazer noutros lugares aquilo que não ousa fazer em sua casa.[12]
Nestes e noutros casos, a indiferença provoca sobretudo fechamento e
desinteresse, acabando assim por contribuir para a falta de paz com
Deus, com o próximo e com a criação.
A paz ameaçada pela indiferença globalizada
4. A indiferença para com Deus supera a esfera íntima e espiritual da
pessoa individual e investe a esfera pública e social. Como afirmava
Bento XVI, «há uma ligação íntima entre a glorificação de Deus e a paz
dos homens na terra».[13]
Com efeito, «sem uma abertura ao transcendente, o homem cai como presa
fácil do relativismo e, consequentemente, torna-se-lhe difícil agir de
acordo com a justiça e comprometer-se pela paz».[14]
O esquecimento e a negação de Deus, que induzem o homem a não
reconhecer qualquer norma acima de si próprio e a tomar como norma
apenas a si mesmo, produziram crueldade e violência sem medida.[15]
A nível individual e comunitário, a indiferença para com o próximo –
filha da indiferença para com Deus – assume as feições da inércia e da
apatia, que alimentam a persistência de situações de injustiça e grave
desequilíbrio social, as quais podem, por sua vez, levar a conflitos ou
de qualquer modo gerar um clima de descontentamento que ameaça
desembocar, mais cedo ou mais tarde, em violências e insegurança.
Neste sentido, a indiferença e consequente desinteresse constituem
uma grave falta ao dever que cada pessoa tem de contribuir – na medida
das suas capacidades e da função que desempenha na sociedade – para o
bem comum, especialmente para a paz, que é um dos bens mais preciosos da
humanidade.[16]
Depois, quando investe o nível institucional, a indiferença pelo
outro, pela sua dignidade, pelos seus direitos fundamentais e pela sua
liberdade, de braço dado com uma cultura orientada para o lucro e o
hedonismo, favorece e às vezes justifica acções e políticas que acabam
por constituir ameaças à paz. Este comportamento de indiferença pode
chegar inclusivamente a justificar algumas políticas económicas
deploráveis, precursoras de injustiças, divisões e violências, que visam
a consecução do bem-estar próprio ou o da nação. Com efeito, não é raro
que os projectos económicos e políticos dos homens tenham por
finalidade a conquista ou a manutenção do poder e das riquezas, mesmo à
custa de espezinhar os direitos e as exigências fundamentais dos outros.
Quando as populações vêem negados os seus direitos elementares, como o
alimento, a água, os cuidados de saúde ou o trabalho, sentem-se tentadas
a obtê-los pela força.[17]
Por fim, a indiferença pelo ambiente natural, favorecendo o
desflorestamento, a poluição e as catástrofes naturais que desenraízam
comunidades inteiras do seu ambiente de vida, constrangendo-as à
precariedade e à insegurança, cria novas pobrezas, novas situações de
injustiça com consequências muitas vezes desastrosas em termos de
segurança e paz social. Quantas guerras foram movidas e quantas ainda
serão travadas por causa da falta de recursos ou para responder à
demanda insaciável de recursos naturais?[18]
Da indiferença à misericórdia: a conversão do coração
5. Quando, há um ano – na Mensagem para o Dia Mundial da Paz
intitulada «já não escravos, mas irmãos» –, evoquei o primeiro ícone
bíblico da fraternidade humana, o ícone de Caim e Abel (cf. Gn 4,
1-16), fi-lo para evidenciar o modo como foi traída esta primeira
fraternidade. Caim e Abel são irmãos. Provêm ambos do mesmo ventre, são
iguais em dignidade e criados à imagem e semelhança de Deus; mas a sua
fraternidade de criaturas quebra-se. «Caim não só não suporta o seu
irmão Abel, mas mata-o por inveja».[19]
E assim o fratricídio torna-se a forma de traição, sendo a rejeição,
por parte de Caim, da fraternidade de Abel a primeira ruptura nas
relações familiares de fraternidade, solidariedade e respeito mútuo.
Então Deus intervém para chamar o homem à responsabilidade para com o
seu semelhante, precisamente como fizera quando Adão e Eva, os
primeiros pais, quebraram a comunhão com o Criador. «O Senhor disse a
Caim: “Onde está o teu irmão Abel?” Caim respondeu: “Não sei dele. Sou,
porventura, guarda do meu irmão?” O Senhor replicou: “Que fizeste? A voz
do sangue do teu irmão clama da terra até Mim”» (Gn 4, 9-10).
Caim diz que não sabe o que aconteceu ao seu irmão, diz que não é o
seu guardião. Não se sente responsável pela sua vida, pelo seu destino.
Não se sente envolvido. É-lhe indiferente o seu irmão, apesar de ambos
estarem ligados pela origem comum. Que tristeza! Que drama fraterno,
familiar, humano! Esta é a primeira manifestação da indiferença entre
irmãos. Deus, ao contrário, não é indiferente: o sangue de Abel tem
grande valor aos seus olhos e pede contas dele a Caim. Assim, Deus
revela-Se, desde o início da humanidade, como Aquele que se interessa
pelo destino do homem. Quando, mais tarde, os filhos de Israel se
encontram na escravidão do Egipto, Deus intervém de novo. Diz a Moisés:
«Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu
clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus
sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer
subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana
leite e mel» (Ex 3, 7-8). É importante notar os verbos que
descrevem a intervenção de Deus: Ele observa, ouve, conhece, desce,
liberta. Deus não é indiferente. Está atento e age.
De igual modo, no seu Filho Jesus, Deus desceu ao meio dos homens,
encarnou e mostrou-Se solidário com a humanidade em tudo, excepto no
pecado. Jesus identificava-Se com a humanidade: «o primogénito de muitos
irmãos» (Rm 8, 29). Não se contentava em ensinar às multidões, mas preocupava-Se com elas, especialmente quando as via famintas (cf. Mc 6, 34-44) ou sem trabalho (cf. Mt
20, 3). O seu olhar não Se fixava apenas nos seres humanos, mas também
nos peixes do mar, nas aves do céu, na erva e nas árvores, pequenas e
grandes; abraçava a criação inteira. Ele vê sem dúvida, mas não Se
limita a isso, pois toca as pessoas, fala com elas, age em seu favor e
faz bem a quem precisa. Mais ainda, deixa-Se comover e chora (cf. Jo 11, 33-44). E age para acabar com o sofrimento, a tristeza, a miséria e a morte.
Jesus ensina-nos a ser misericordiosos como o Pai (cf. Lc 6, 36). Na parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 29-37), denuncia a omissão de ajuda numa necessidade urgente dos seus semelhantes: «ao vê-lo, passou adiante» (Lc
10, 32). Ao mesmo tempo, com este exemplo, convida os seus ouvintes, e
particularmente os seus discípulos, a aprenderem a parar junto dos
sofrimentos deste mundo para os aliviar, junto das feridas dos outros
para as tratar com os recursos de que disponham, a começar pelo próprio
tempo apesar das muitas ocupações. Na realidade, muitas vezes a
indiferença procura pretextos: na observância dos preceitos rituais, na
quantidade de coisas que é preciso fazer, nos antagonismos que nos
mantêm longe uns dos outros, nos preconceitos de todo o género que
impedem de nos fazermos próximo.
A misericórdia é o coração de Deus. Por isso deve ser também o
coração de todos aqueles que se reconhecem membros da única grande
família dos seus filhos; um coração que bate forte onde quer que esteja
em jogo a dignidade humana, reflexo do rosto de Deus nas suas criaturas.
Jesus adverte-nos: o amor aos outros – estrangeiros, doentes,
encarcerados, pessoas sem-abrigo, até inimigos – é a unidade de medida
de Deus para julgar as nossas acções. Disso depende o nosso destino
eterno. Não é de admirar que o apóstolo Paulo convide os cristãos de
Roma a alegrar-se com os que se alegram e a chorar com os que choram
(cf. Rm 12, 15), ou recomende aos de Corinto que organizem colectas em sinal de solidariedade com os membros sofredores da Igreja (cf. 1 Cor
16, 2-3). E São João escreve: «Se alguém possuir bens deste mundo e,
vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o
amor de Deus pode permanecer nele?» (1 Jo 3, 17; cf. Tg 2, 15-16).
É por isso que «é determinante para a Igreja e para a credibilidade
do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua
linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e
desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem
irradiar misericórdia. A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo.
E, deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo, a Igreja
faz-se serva e mediadora junto dos homens. Por isso, onde a Igreja
estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Nas nossas
paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma,
onde houver cristãos –, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis
de misericórdia».[20]
Deste modo, também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão,
da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida, um
estilo de comportamento nas relações de uns com os outros.[21] Isto requer a conversão do coração, isto é, que a graça de Deus transforme o nosso coração de pedra num coração de carne (cf. Ez
36, 26), capaz de se abrir aos outros com autêntica solidariedade. Com
efeito, esta é muito mais do que um «sentimento de compaixão vaga ou de
enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas,
próximas ou distantes».[22]
A solidariedade «é a determinação firme e perseverante de se empenhar
pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos
nós somos verdadeiramente responsáveis por todos»,[23] porque a compaixão brota da fraternidade.
Assim entendida, a solidariedade constitui a atitude moral e social
que melhor dá resposta à tomada de consciência das chagas do nosso tempo
e da inegável interdependência que se verifica cada vez mais,
especialmente num mundo globalizado, entre a vida do indivíduo e da sua
comunidade num determinado lugar e a de outros homens e mulheres no
resto do mundo.[24]
Fomentar uma cultura de solidariedade e misericórdia para se vencer a indiferença
6. A solidariedade como virtude moral e comportamento social, fruto
da conversão pessoal, requer empenho por parte duma multiplicidade de
sujeitos que detêm responsabilidades de carácter educativo e formativo.
Penso em primeiro lugar nas famílias, chamadas a uma missão educativa
primária e imprescindível. Constituem o primeiro lugar onde se vivem e
transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da
partilha, da atenção e do cuidado pelo outro. São também o espaço
privilegiado para a transmissão da fé, a começar por aqueles primeiros
gestos simples de devoção que as mães ensinam aos filhos.[25]
Quanto aos educadores e formadores que têm a difícil tarefa de educar
as crianças e os jovens, na escola ou nos vários centros de agregação
infantil e juvenil, devem estar cientes de que a sua responsabilidade
envolve as dimensões moral, espiritual e social da pessoa. Os valores da
liberdade, respeito mútuo e solidariedade podem ser transmitidos desde a
mais tenra idade. Dirigindo-se aos responsáveis das instituições que
têm funções educativas, Bento XVI afirmava: «Possa cada ambiente
educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de
diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas
capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa
ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade
e a compaixão para com o próximo e de participar activamente na
construção duma sociedade mais humana e fraterna».[26]
Também os agentes culturais e dos meios de comunicação social têm
responsabilidades no campo da educação e da formação, especialmente na
sociedade actual onde se vai difundindo cada vez mais o acesso a
instrumentos de informação e comunicação. Antes de mais nada, é dever
deles colocar-se ao serviço da verdade e não de interesses particulares.
Com efeito, os meios de comunicação «não só informam, mas também formam
o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer
notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a
ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de facto,
a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou
negativamente na formação da pessoa».[27]
Os agentes culturais e dos meios de comunicação social deveriam também
vigiar por que seja sempre lícito, jurídica e moralmente, o modo como se
obtêm e divulgam as informações.
A paz, fruto duma cultura de solidariedade, misericórdia e compaixão
7. Conscientes da ameaça duma globalização da indiferença, não
podemos deixar de reconhecer que, no cenário acima descrito, inserem-se
também numerosas iniciativas e acções positivas que testemunham a
compaixão, a misericórdia e a solidariedade de que o homem é capaz.
Quero recordar alguns exemplos de louvável empenho, que demonstram
como cada um pode vencer a indiferença, quando opta por não afastar o
olhar do seu próximo, e constituem passos salutares no caminho rumo a
uma sociedade mais humana.
Há muitas organizações não-governamentais e grupos sócio-caritativos,
dentro da Igreja e fora dela, cujos membros, por ocasião de epidemias,
calamidades ou conflitos armados, enfrentam fadigas e perigos para
cuidar dos feridos e doentes e para sepultar os mortos. Ao lado deles,
quero mencionar as pessoas e as associações que socorrem os emigrantes
que atravessam desertos e sulcam mares à procura de melhores condições
de vida. Estas acções são obras de misericórdia corporal e espiritual,
sobre as quais seremos julgados no fim da nossa vida.
Penso também nos jornalistas e fotógrafos, que informam a opinião
pública sobre as situações difíceis que interpelam as consciências, e
naqueles que se comprometem na defesa dos direitos humanos, em
particular os direitos das minorias étnicas e religiosas, dos povos
indígenas, das mulheres e das crianças, e de quantos vivem em condições
de maior vulnerabilidade. Entre eles, contam-se também muitos sacerdotes
e missionários que, como bons pastores, permanecem junto dos seus fiéis
e apoiam-nos sem olhar a perigos e adversidades, em particular durante
os conflitos armados.
Além disso, quantas famílias, no meio de inúmeras dificuldades
laborais e sociais, se esforçam concretamente, à custa de muitos
sacrifícios, por educar os seus filhos «contracorrente» nos valores da
solidariedade, da compaixão e da fraternidade! Quantas famílias abrem os
seus corações e as suas casas a quem está necessitado, como os
refugiados e os emigrantes! Quero agradecer de modo particular a todas
as pessoas, famílias, paróquias, comunidades religiosas, mosteiros e
santuários que responderam prontamente ao meu apelo a acolher uma
família de refugiados.[28]
Quero, enfim, mencionar os jovens que se unem para realizar
projectos de solidariedade, e todos aqueles que abrem as suas mãos para
ajudar o próximo necessitado nas suas cidades, no seu país ou noutras
regiões do mundo. Quero agradecer e encorajar todos aqueles que estão
empenhados em acções deste género, mesmo sem gozar de publicidade: a sua
fome e sede de justiça serão saciadas, a sua misericórdia far-lhes-á
encontrar misericórdia e, como obreiros da paz, serão chamados filhos de
Deus (cf. Mt 5, 6-9).
A paz, sob o signo do Jubileu da Misericórdia
8. No espírito do Jubileu da Misericórdia, cada um é chamado a
reconhecer como se manifesta a indiferença na sua vida e a adoptar um
compromisso concreto que contribua para melhorar a realidade onde vive, a
começar pela própria família, a vizinhança ou o ambiente de trabalho.
Também os Estados são chamados a cumprir gestos concretos, actos
corajosos a bem das pessoas mais frágeis da sociedade, como os reclusos,
os migrantes, os desempregados e os doentes.
Relativamente aos reclusos, urge em muitos casos adoptar medidas
concretas para melhorar as suas condições de vida nos estabelecimentos
prisionais, prestando especial atenção àqueles que estão privados da
liberdade à espera de julgamento,[29]
tendo em mente a finalidade reabilitativa da sanção penal e avaliando a
possibilidade de inserir nas legislações nacionais penas alternativas à
detenção carcerária. Neste contexto, desejo renovar às autoridades
estatais o apelo a abolir a pena de morte, onde ainda estiver em vigor, e
a considerar a possibilidade duma amnistia.
Quanto aos migrantes, quero dirigir um convite a repensar as
legislações sobre as migrações, de modo que sejam animadas pela vontade
de dar hospitalidade, no respeito pelos recíprocos deveres e
responsabilidades, e possam facilitar a integração dos migrantes. Nesta
perspectiva, dever-se-ia prestar especial atenção às condições para
conceder a residência aos migrantes, lembrando-se de que a
clandestinidade traz consigo o risco de os arrastar para a
criminalidade.
Desejo ainda, neste Ano Jubilar, formular um premente apelo aos
líderes dos Estados para que realizem gestos concretos a favor dos
nossos irmãos e irmãs que sofrem pela falta de trabalho, terra e tecto.
Penso na criação de empregos dignos para contrastar a chaga social do
desemprego, que lesa um grande número de famílias e de jovens e tem
consequências gravíssimas no bom andamento da sociedade inteira. A falta
de trabalho afecta, fortemente, o sentido de dignidade e de esperança, e
só parcialmente é que pode ser compensada pelos subsídios, embora
necessários, para os desempregados e suas famílias. Especial atenção
deveria ser dedicada às mulheres – ainda discriminadas, infelizmente, no
campo laboral – e a algumas categorias de trabalhadores, cujas
condições são precárias ou perigosas e cujos salários não são adequados à
importância da sua missão social.
Finalmente, quero convidar à realização de acções eficazes para
melhorar as condições de vida dos doentes, garantindo a todos o acesso
aos cuidados sanitários e aos medicamentos indispensáveis para a vida,
incluindo a possibilidade de tratamentos domiciliários.
E, estendendo o olhar para além das próprias fronteiras, os líderes
dos Estados são chamados também a renovar as suas relações com os outros
povos, permitindo a todos uma efectiva participação e inclusão na vida
da comunidade internacional, para que se realize a fraternidade também
dentro da família das nações.
Nesta perspectiva, desejo dirigir um tríplice apelo: apelo a
abster-se de arrastar os outros povos para conflitos ou guerras que
destroem não só as suas riquezas materiais, culturais e sociais, mas
também – e por longo tempo – a sua integridade moral e espiritual; apelo
ao cancelamento ou gestão sustentável da dívida internacional dos
Estados mais pobres; apelo à adopção de políticas de cooperação que, em
vez de submeter à ditadura dalgumas ideologias, sejam respeitadoras dos
valores das populações locais e, de maneira nenhuma, lesem o direito
fundamental e inalienável dos nascituros à vida.
Confio estas reflexões, juntamente com os melhores votos para o novo
ano, à intercessão de Maria Santíssima, Mãe solícita pelas necessidades
da humanidade, para que nos obtenha de seu Filho Jesus, Príncipe da Paz,
a satisfação das nossas súplicas e a bênção do nosso compromisso diário
por um mundo fraterno e solidário.
Vaticano, no dia da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem
Santa Maria e da Abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 8
de Dezembro de 2015.
FRANCISCUS
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
domingo, 27 de dezembro de 2015
sábado, 26 de dezembro de 2015
Mensagem «Urbi et Orbi» do Papa Francisco
NATAL 2015
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015
Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!
Cristo nasceu para nós, exultemos no dia da nossa salvação!
Abramos os nossos corações para receber a graça deste dia, que é Ele
próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no horizonte da humanidade.
Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa
ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de
paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, e sobretudo
reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e
os humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).
Neste dia, nasceu da Virgem Maria Jesus, o Salvador. O presépio
mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um menino envolto em panos e
deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os pastores de
Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em cada
ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em
cada família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de
Deus encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o
«sinal» de Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas
que é Filho do Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador, porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo
1, 29). Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro,
adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de
arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração. Disto
todos temos necessidade.
Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar
a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o
egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar
vias de saída em situações humanamente irresolúveis.
Onde nasce Deus, nasce a esperança: Ele traz a esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra.
E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito
carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve
ser invocado e construído. Oxalá israelitas e palestinenses retomem um
diálogo directo e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos
conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém
contrapostos, com graves repercussões na região inteira.
Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas
consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio
à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente
urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se
superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a
atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer
cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque,
Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas,
causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e
cultural de povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por
hediondos actos terroristas, em particular pelos massacres recentes
ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.
Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da
sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força. São os nossos mártires de
hoje.
Paz e concórdia, pedimos para as queridas populações da República
Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do Sul, a fim de se
reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da edificação
de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e
compreensão mútua.
Que o Natal traga verdadeira paz também à Ucrânia, proporcione alívio
a quem sofre as consequências do conflito e inspire a vontade de
cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país
inteiro.
Que a alegria deste dia ilumine os esforços do povo colombiano, para
que, animado pela esperança, continue empenhado na busca da desejada
paz.
Onde nasce Deus, nasce a esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade.
E, todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão
privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a
pobreza e a rejeição dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos
mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem
violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico.
Não falte o nosso conforto às pessoas que fogem da miséria ou da
guerra, viajando em condições tantas vezes desumanas e, não raro,
arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos,
indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher
os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro
digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que
os recebem.
Neste dia de festa, o Senhor dê esperança àqueles que não têm
trabalho – e são tantos! – e sustente o compromisso de quantos possuem
responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem o
seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada
vida humana.
Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Esta é o presente
mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que
somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por
cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados,
experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o
mal.
E assim hoje, juntos, exultemos no dia da nossa salvação. Ao
contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que
nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as
primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus
irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8).
Terminada a Mensagem Urbi et Orbi, o Santo Padre desejou Boas-Festas Natalícias:
A vós, queridos irmãos e irmãs, congregados dos quatro cantos do
mundo nesta Praça [de São Pedro] e a quantos estais unidos connosco nos
vários países através do rádio, da televisão e doutros meios de
comunicação, dirijo os meus votos mais cordiais.
É o Natal do Ano Santo da Misericórdia. Por isso desejo, a todos, que
possais acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus
Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim
faremos crescer a paz. Feliz Natal!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Santa Missa na Solenidade do Natal do Senhor
NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2014
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2014
Nesta noite, resplandece «uma grande luz» (Is 9, 1); sobre
todos nós, brilha a luz do nascimento de Jesus. Como são verdadeiras e
actuais as palavras que ouvimos do profeta Isaías: «Multiplicaste a
alegria, aumentaste o júbilo» (9, 2)! O nosso coração já estava cheio de
alegria vislumbrando este momento; mas, agora, aquele sentimento
multiplica-se e sobreabunda, porque a promessa se cumpriu: finalmente
realizou-se. Júbilo e alegria garantem-nos que a mensagem contida no
mistério desta noite provém verdadeiramente de Deus. Não há lugar para a
dúvida; deixemo-la aos cépticos, que, por interrogarem apenas a razão,
nunca encontram a verdade. Não há espaço para a indiferença, que domina
no coração de quem é incapaz de amar, porque tem medo de perder alguma
coisa. Fica afugentada toda a tristeza, porque o Menino Jesus é o
verdadeiro consolador do coração.
Hoje, o Filho de Deus nasceu: tudo muda. O Salvador do mundo vem para
Se tornar participante da nossa natureza humana: já não estamos sós e
abandonados. A Virgem oferece-nos o seu Filho como princípio de vida
nova. A verdadeira luz vem iluminar a nossa existência, muitas vezes
encerrada na sombra do pecado. Hoje descobrimos de novo quem somos!
Nesta noite, torna-se-nos patente o caminho que temos de percorrer para
alcançar a meta. Agora, deve cessar todo o medo e pavor, porque a luz
nos indica a estrada para Belém. Não podemos permanecer inertes. Não nos
é permitido ficar parados. Temos de ir ver o nosso Salvador, deitado
numa manjedoura. Eis o motivo do júbilo e da alegria: este Menino
«nasceu para nós», foi-nos «dado a nós», como anuncia
Isaías (cf. 9, 5). A um povo que, há dois mil anos, percorre todas as
estradas do mundo para tornar cada ser humano participante desta
alegria, é confiada a missão de dar a conhecer o «Príncipe da paz» e
tornar-se um instrumento eficaz d’Ele no meio das nações.
Por isso, quando ouvirmos falar do nascimento de Cristo, permaneçamos
em silêncio e deixemos que seja aquele Menino a falar; gravemos no
nosso coração as suas palavras, sem afastar o olhar do seu rosto. Se O
tomarmos nos nossos braços e nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a
paz do coração que jamais terá fim. Este Menino ensina-nos aquilo que é
verdadeiramente essencial na nossa vida. Nasce na pobreza do mundo,
porque, para Ele e sua família, não há lugar na hospedaria. Encontra
abrigo e protecção num estábulo e é deitado numa manjedoura para
animais. E todavia, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus. A
partir daqui, para os homens de coração simples, começa o caminho da
verdadeira libertação e do resgate perene. Deste Menino, que, no seu
rosto, traz gravados os traços da bondade, da misericórdia e do amor de
Deus Pai, brota – em todos nós, seus discípulos, como ensina o apóstolo
Paulo – a vontade de «renúncia à impiedade» e à riqueza do mundo, para
vivermos «com sobriedade, justiça e piedade» (Tt 2, 12).
Numa sociedade frequentemente embriagada de consumo e prazer, de
abundância e luxo, de aparência e narcisismo, Ele chama-nos a um
comportamento sóbrio, isto é, simples, equilibrado, linear, capaz
de individuar e viver o essencial. Num mundo que demasiadas vezes é
duro com o pecador e brando com o pecado, há necessidade de cultivar um
forte sentido da justiça, de buscar e pôr em prática a vontade de Deus.
No seio duma cultura da indiferença, que não raramente acaba por ser
cruel, o nosso estilo de vida seja, pelo contrário, cheio de piedade, empatia, compaixão, misericórdia, extraídas diariamente do poço de oração.
Como os pastores de Belém, possam também os nossos olhos encher-se de
espanto e maravilha, contemplando no Menino Jesus o Filho de Deus. E,
diante d’Ele, brote dos nossos corações a invocação: «Mostra-nos,
Senhor, a tua misericórdia, concede-nos a tua salvação» (Sal 85/84, 8).
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
sábado, 19 de dezembro de 2015
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
sábado, 12 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Jubileu Extraordinário da Misericórdia - Homilia do Papa Francisco na Santa Missa e Abertura da Porta Santa
Praça São Pedro
Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015
Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria
Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015
Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria
Daqui a pouco, terei a alegria de abrir a Porta Santa da
Misericórdia. Este gesto, como fiz em Bangui, simples mas altamente
simbólico, realizamo-lo à luz da Palavra de Deus escutada que põe em
evidência a primazia da graça. Na verdade, o tema que mais vezes
aflora nestas Leituras remete para aquela frase que o anjo Gabriel
dirigiu a uma jovem mulher, surpresa e turbada, indicando o mistério que
a iria envolver: «Salve, ó cheia de graça» (Lc 1, 28).
Antes de mais nada, a Virgem Maria é convidada a alegrar-Se com
aquilo que o Senhor realizou n’Ela. A graça de Deus envolveu-A,
tornando-A digna de ser mãe de Cristo. Quando Gabriel entra na sua casa,
até o mistério mais profundo, que ultrapassa toda e qualquer capacidade
da razão, se torna para Ela motivo de alegria, motivo de fé, motivo de
abandono à palavra que Lhe é revelada. A plenitude da graça é capaz de transformar o coração, permitindo-lhe realizar um acto tão grande que muda a história da humanidade.
A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino.
Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a
evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste
mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva. O início da
história do pecado no Jardim do Éden encontra solução no projecto de um
amor que salva. As palavras do Génesis levam-nos à experiência diária
que descobrimos na nossa existência pessoal. Há sempre a tentação da
desobediência, que se exprime no desejo de projectar a nossa vida
independentemente da vontade de Deus. Esta é a inimizade que ameaça
continuamente a vida dos homens, tentando contrapô-los ao desígnio de
Deus. E todavia a própria história do pecado só é compreensível à luz do
amor que perdoa. O pecado só se entende sob esta luz. Se tudo
permanecesse ligado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as
criaturas. Mas não! A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo
na misericórdia do Pai. Sobre isto, não deixa qualquer dúvida a palavra
de Deus que ouvimos. Diante de nós, temos a Virgem Imaculada como
testemunha privilegiada desta promessa e do seu cumprimento.
Também este Ano Extraordinário é dom de graça. Entrar por aquela
Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a
todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos
procura, ´Ele que nos vem ao encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia.
Que grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma, em
primeiro lugar, que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem
antepor, diversamente, que são perdoados pela sua misericórdia (cf.
Santo Agostinho, De praedestinatione sanctorum 12, 24)! E assim é
verdadeiramente. Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em
todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua
misericórdia. Por isso, oxalá o cruzamento da Porta Santa nos faça
sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma.
Hoje, aqui em Roma e em todas as dioceses do mundo, ao cruzar a Porta
Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os
Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo. Esta
efeméride não pode lembrar apenas a riqueza dos documentos emanados, que
permitem verificar até aos nossos dias o grande progresso que se
realizou na fé. Mas o Concílio foi também, e primariamente, um encontro;
um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo.
Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a
sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma,
para retomar com entusiasmo o caminho missionário. Era a retomada de um
percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive: na sua
cidade, na sua casa, no local de trabalho... em qualquer lugar onde
houver uma pessoa, a Igreja é chamada a ir lá ter com ela, para lhe
levar a alegria do Evangelho e levar a Misericórdia e o perdão de Deus.
Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas,
retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a
esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano,
como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar
hoje a Porta Santa compromete-nos a adoptar a misericórdia do bom
samaritano.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Surpresa
Ia eu pedindo de porta em porta, pelo caminho da rua da aldeia, quando o Teu carro de ouro apareceu ao longe, como um sonho magnífico. Eu perguntava-me, maravilhado, quem seria aquele rei dos reis.
As minhas esperanças voavam até ao céu, e pensei que os meus dias maus tinham acabado. E fiquei a aguardar esmolas espontâneas, tesouros espalhados pelo chão.
O Teu coche parou ao meu lado. Olhaste-me e baixaste os olhos sorrido. Senti que a felicidade da vida tinha chegado finalmente para mim. E logo TU estendeste-me a mão, dizendo: «Podes dar-me alguma coisa?»
Oh, que lembrança da Tua realeza! Pedires a um mendigo!
Eu estava confuso e não sabia o que fazer… Depois, tirei devagar o meu saco um grãozinho de trigo e dei-to.
Mas que surpresa minha, quando à tarde, ao esvaziar o meu saco no chão, encontrei um grãozinho no montão da minha miséria!
Como chorei amargamente não ter tido coração para Te dar tudo!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
domingo, 6 de dezembro de 2015
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
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