Como é grande o poder desta Majestade que em tão breve tempo sabe enriquecer as almas com tesouros inenarráveis, imprimindo nelas verdades tão sublimes!
Bem Vindo
Este blogue foi criado para partilhar frases e textos que me têm marcado. Estes tenho encontrado em livros, na Internet, em jornais... Se quiseres comentar para partilhares o que te dizem, sente-te à vontade. Também podes expressar os teus gostos em cada post, mas peço-te que votes apenas uma vez em cada post. Volta sempre porque todos os dias vou adicionar um pensamento novo.
Se quiseres que alguma das tuas meditações faça parte deste blogue ou se encontras-te alguma que penses que possa ser adicionada a este blogue agradeço que a envies para fabiopedro100@gmail.com que eu adicioná-lo-ei com muito gosto.
Nunca te esqueças que pensar faz bem a todos e sejam felizes =)
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terça-feira, 10 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
domingo, 8 de maio de 2016
sábado, 7 de maio de 2016
sexta-feira, 6 de maio de 2016
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sexta-feira, 29 de abril de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 24 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
Mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 53º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
(17 de Abril de 2016 - IV Domingo da Páscoa)
PARA O 53º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
(17 de Abril de 2016 - IV Domingo da Páscoa)
Tema: «A Igreja, mãe de vocações»
Amados irmãos e irmãs!
Como gostaria que todos os baptizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia,
experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir
que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio
do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da
misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá
fruto.
Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia
Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a
comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no
caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu
Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o
Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus,
8). A acção misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e
abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à
missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo
de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma
medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo
missionário.
O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi,
descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à
comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a
proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação
comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente
os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também
objecto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».
A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária.
Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo
amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional
é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação.
O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o
individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi
vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a
nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação
histórica do seu povo santo.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os
fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento
vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar
de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. Act 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. Act 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt
1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente
na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf.
Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).
A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é
necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado
exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou
movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da
autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se
integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de
todos» (Ibid., 130).
Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio
horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar
assim um discernimento mais objectivo. Deste modo, a comunidade torna-se
a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla,
agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o
seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem
caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em
todos.
A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação,
os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a
comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos
inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade,
como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom
catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com
uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação,
partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes
em contacto com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos,
aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para
aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre
o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.
A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso
definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na
disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação
permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a
servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé
é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo
Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Act 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Act
14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade
cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde
encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida
eterna.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os
sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de
Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (...). Eu sou o bom pastor» (Jo
10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do
seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à
procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço
de Deus e da comunidade.
Todos os fiéis são chamados a consciencializar-se do dinamismo
eclesial da vocação, para que as comunidades de fé possam tornar-se, a
exemplo da Virgem Maria, seio materno que acolhe o dom do Espírito Santo
(cf. Lc 1, 35-38). A maternidade da Igreja exprime-se através da
oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de
acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus. Fá-lo também
mediante uma cuidadosa selecção dos candidatos ao ministério ordenado e à
vida consagrada. Enfim, é mãe das vocações pelo contínuo apoio daqueles
que consagraram a vida ao serviço dos outros.
Peçamos ao Senhor que conceda, a todas as pessoas que estão a
realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o
Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o
discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual.
Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação
e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos
comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de
vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à
evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada
catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria
para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo,
resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e
educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que,
tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas
para o serviço do povo santo de Deus.
Cidade do Vaticano, 29 de Novembro – I Domingo do Advento – de 2015.
Franciscus
sábado, 16 de abril de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
quinta-feira, 14 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Que possamos voltar o olhar à Mãe de Deus, Maria, nas bodas de Caná O seu olhar silencioso e perscrutador observa tudo e repara onde falta alguma coisa. E antes que alguém perceba e ocorra algum embaraço, ela já prestou a sua ajuda. Encontra meios e modos, dá as indicações necessárias, e isso tudo em silêncio, sem deixar perceber nada.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
terça-feira, 29 de março de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
Seja qual for a distância do homem pecador em relação a Deus, sempre é menos profunda que a distância do Filho em relação ao Pai no seu esvaziamento kenótico (cf. Fil 2,7) e que a miséria do «abandono» (Mt 27,46). Este é o aspecto próprio na economia da redenção da distinção das pessoas na Santa Trindade, que por outra parte estão perfeitamente unidas na identidade de uma mesma natureza e de um amor íntimo.
domingo, 27 de março de 2016
Mensagem «Urbi et Orbi» do Papa Francisco
PÁSCOA DE 2016
Sacada Central da Basílica Vaticana
Domingo, 27 de Março de 2016
Domingo, 27 de Março de 2016
«Louvai o Senhor porque ele é bom:
porque eterna é a sua misericórdia» (Sl 135,1).
Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!
Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!
A sua Ressurreição realiza plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele desceu até ao fundo do abismo.
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e não permitir que submerjamos, mas continuemos a caminhar juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.
O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo da morte foi transposto e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor (cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, ao passo que as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes têm lugar dentro do lar, e de conflitos armados numa grande escala, que submetem populações inteiras a provas inimagináveis.
Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.
A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelenses e palestinos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de pessoas detidas.
O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões, Costa do Marfim e Iraque; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular no Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.
O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida não esquecer dos homens e mulheres na sua jornada em busca de um futuro melhor; grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram, com demasiada frequência, a morte ou, ao menos, a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula Mundial Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.
Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta.
Com os nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e a imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Para aqueles que em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as suas forças esvaindo-se, para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas... a quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6). Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem e esperança, para assim construirmos estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos. E temos tanta necessidade disto!
porque eterna é a sua misericórdia» (Sl 135,1).
Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!
Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!
A sua Ressurreição realiza plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele desceu até ao fundo do abismo.
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e não permitir que submerjamos, mas continuemos a caminhar juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.
O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo da morte foi transposto e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor (cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, ao passo que as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes têm lugar dentro do lar, e de conflitos armados numa grande escala, que submetem populações inteiras a provas inimagináveis.
Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.
A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelenses e palestinos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de pessoas detidas.
O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões, Costa do Marfim e Iraque; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular no Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.
O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida não esquecer dos homens e mulheres na sua jornada em busca de um futuro melhor; grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram, com demasiada frequência, a morte ou, ao menos, a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula Mundial Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.
Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta.
Com os nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e a imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Para aqueles que em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as suas forças esvaindo-se, para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas... a quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6). Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem e esperança, para assim construirmos estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos. E temos tanta necessidade disto!
sábado, 26 de março de 2016
sexta-feira, 25 de março de 2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
Se soubéssemos escutar a Deus, se soubéssemos olhar a vida, toda a vida se tornaria oração. Pois toda ela se desdobra sob o olhar de Deus e nada deve ser vivido sem Lhe ser oferecido livremente.
As palavras de cada dia servem-nos antes de tudo como traço-de-união com o céu. Utilizemos as páginas que seguem. Depois, como alguém que atira fora as cascas de um fruto que vai comer, dispensemos, depressa, as palavras. Eram um meio, e só isso. Mas a oração silenciosa que se desprende das palavras nunca deve separar-se da vida, pois a vida de cada dia é a matéria-prima da oração.
quarta-feira, 23 de março de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
segunda-feira, 21 de março de 2016
domingo, 20 de março de 2016
Mensagem do Santo Padre Francisco para a XXX Jornada Mundial da Juventude
«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8)
Queridos jovens!
Continuamos a nossa peregrinação espiritual para Cracóvia, onde em
Julho de 2016 se realizará a próxima edição internacional da Jornada
Mundial da Juventude. Como guia do nosso caminho escolhemos as
Bem-aventuranças evangélicas. No ano passado, reflectimos sobre a
Bem-aventurança dos pobres em espírito, inserida no contexto mais amplo
do «Sermão da Montanha». Juntos, descobrimos o significado
revolucionário das Bem-aventuranças e o forte apelo de Jesus para nos
lançarmos, com coragem, na aventura da busca da felicidade. Este ano
reflectiremos sobre a sexta Bem-aventurança: «Felizes os puros de
coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8).
1. O desejo da felicidade
A palavra «felizes», ou bem-aventurados, aparece nove vezes na primeira grande pregação de Jesus (cf. Mt
5,1-12). É como um refrão que nos recorda a chamada do Senhor a
percorrer, juntamente com Ele, uma estrada que, apesar de todos os
desafios, é a via da verdadeira felicidade.
Ora a busca da felicidade, queridos jovens, é comum a todas as
pessoas de todos os tempos e de todas as idades. Deus colocou no coração
de cada homem e de cada mulher um desejo irreprimível de felicidade, de
plenitude. Porventura não sentis que o vosso coração está inquieto
buscando sem cessar um bem que possa saciar a sua sede de infinito?
Os primeiros capítulos do livro do Génesis apresentam-nos a
felicidade maravilhosa a que somos chamados, consistindo numa perfeita
comunhão com Deus, com os outros, com a natureza, com nós mesmos. O
livre acesso a Deus, à sua intimidade e visão estava presente no
projecto de Deus para a humanidade desde as suas origens e fazia com que
a luz divina permeasse de verdade e transparência todas as relações
humanas. Neste estado de pureza original, não existiam «máscaras»,
subterfúgios, motivos para se esconderem uns dos outros. Tudo era puro e
claro.
Quando o homem e a mulher cedem à tentação e quebram a relação de
confiante comunhão com Deus, o pecado entra na história humana (cf. Gn
3). Imediatamente se fazem notar as consequências inclusive nas suas
relações consigo mesmo, de um com o outro, e com a natureza. E são
dramáticas! A pureza das origens como que fica poluída. Depois daquele
momento, já não é possível o acesso directo à presença de Deus.
Comparece a tendência a esconder-se, o homem e a mulher devem cobrir a
sua nudez. Privados da luz que provém da visão do Senhor, olham a
realidade que os circunda de maneira distorcida, míope. A «bússola»
interior, que os guiava na busca da felicidade, perde o seu ponto de
referência e as seduções do poder e do ter e a ânsia do prazer a todo o
custo precipitam-nos no abismo da tristeza e da angústia.
Nos Salmos, encontramos o grito que a humanidade, desde as
profundezas da sua alma, dirige a Deus: «Quem nos dará a felicidade?
Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto!» (Sal 4,7).
Na sua infinita bondade, o Pai responde a esta súplica com o envio do
seu Filho. Em Jesus, Deus assume um rosto humano. Com a sua encarnação,
vida, morte e ressurreição, redime-nos do pecado e abre-nos horizontes
novos, até então inconcebíveis.
E assim, queridos jovens, em Cristo encontra-se a plena realização
dos vossos sonhos de bondade e felicidade. Só Ele pode satisfazer as
vossas expectativas tantas vezes desiludidas por falsas promessas
mundanas. Como disse São João Paulo II,
«Ele é a beleza que tanto vos atrai; é Ele quem vos provoca com aquela
sede de radicalidade que não vos deixa ceder a compromissos; é Ele quem
vos impele a depor as máscaras que tornam a vida falsa; é Ele quem vos
lê no coração as decisões mais verdadeiras que outros quereriam sufocar.
É Jesus quem suscita em vós o desejo de fazer da vossa vida algo
grande» (Vigília de Oração em Tor Vergata, 19 de Agosto de 2000: L’Osservatore Romano, ed. portuguesa de 26/VIII/2000, 383).
2. Felizes os puros de coração…
Procuremos agora aprofundar como esta felicidade passa pela pureza de
coração. Antes de mais nada, devemos compreender o significado bíblico
da palavra «coração». Na cultura hebraica, o coração é o centro
dos sentimentos, pensamentos e intenções da pessoa humana. Se a Bíblia
nos ensina que Deus olha, não às aparências, mas ao coração (cf. 1Sam
16,7), podemos igualmente afirmar que é a partir do nosso coração que
podemos ver a Deus. Assim é, porque o coração compendia o ser humano na
sua totalidade e unidade de corpo e alma, na sua capacidade de amar e
ser amado.
Passando agora à definição de «puro», a palavra grega usada pelo evangelista Mateus é katharos e significa, fundamentalmente, limpo, claro, livre de substâncias contaminadoras.
No Evangelho, vemos Jesus desarraigar uma certa concepção da pureza
ritual ligada a elementos externos, que proibia todo o contacto com
coisas e pessoas (incluindo os leprosos e os forasteiros), consideradas
impuras. Aos fariseus – que, como muitos judeus de então, não comiam sem
antes ter feito as devidas abluções e observavam numerosas tradições
relacionadas com a lavagem de objectos –, Jesus diz categoricamente:
«Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o
que sai do homem, isso é que o torna impuro. (…) Porque é do interior do
coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições,
roubos, assassínios, adultérios, ambições, perversidade, má-fé,
devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios» (Mc 7,15.21-22).
Sendo assim, em que consiste a felicidade que brota dum coração puro?
Partindo do elenco dos males enumerados por Jesus, que tornam o homem
impuro, vemos que a questão tem a ver sobretudo com o campo das nossas relações.
Cada um de nós deve aprender a discernir aquilo que pode «contaminar» o
seu coração, formando em si mesmo uma consciência recta e sensível,
capaz de «discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é
agradável, o que é perfeito» (Rm 12,2). Se é necessária uma
atenção salutar para com a salvaguarda da criação, a pureza do ar, da
água e dos alimentos, com maior razão ainda devemos salvaguardar a
pureza daquilo que temos de mais precioso: os nossos corações e as nossas relações. Esta «ecologia humana» ajudar-nos-á a respirar o ar puro que provém das coisas belas, do amor verdadeiro, da santidade.
Uma vez fiz-vos a pergunta: Onde está o vosso tesouro? Qual é o tesouro onde repousa o vosso coração? (cf. Entrevista com alguns jovens da Bélgica, 31 de Março de 2014).
É verdade! Os nossos corações podem apegar-se a tesouros verdadeiros ou
falsos, podem encontrar um repouso autêntico ou então adormentar-se
tornando-se preguiçosos e entorpecidos. O bem mais precioso que podemos
ter na vida é a nossa relação com Deus. Estais convencidos disto? Estais
cientes do valor inestimável que tendes aos olhos de Deus? Sabeis que
Ele vos ama e acolhe, incondicionalmente, assim como sois? Quando esta
percepção esmorece, o ser humano torna-se um enigma incompreensível,
pois o que dá sentido à nossa vida é precisamente saber que somos amados
incondicionalmente por Deus. Lembrais-vos do diálogo de Jesus com o
jovem rico? (cf. Mc 10,17-22). O evangelista Marcos observa que o
Senhor fixou o olhar nele e amou-o (cf. v. 21), convidando-o depois a
segui-Lo para encontrar o verdadeiro tesouro. Espero, queridos jovens,
que este olhar de Cristo, cheio de amor, vos acompanhe durante toda a
vossa vida.
O período da juventude é aquele em que desabrocha a grande riqueza
afectiva contida nos vossos corações, o desejo profundo dum amor
verdadeiro, belo e grande. Quanta força há nesta capacidade de amar e
ser amados! Não permitais que este valor precioso seja falsificado,
destruído ou deturpado. Isto acontece quando, nas nossas relações,
comparece a manipulação do próximo para os nossos objectivos egoístas,
por vezes como mero objecto de prazer. O coração fica ferido e triste
depois destas experiências negativas. Peço-vos que não tenhais medo dum
amor verdadeiro, aquele que nos ensina Jesus e que São Paulo descreve
assim: «O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é
arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu
próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra
com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará» (1Cor 13,4-8).
Ao mesmo tempo que vos convido a descobrir a beleza da vocação humana
para o amor, exorto-vos a rebelar-vos contra a tendência generalizada
de banalizar o amor, sobretudo quando se procura reduzi-lo apenas ao
aspecto sexual, desvinculando-o assim das suas características
essenciais de beleza, comunhão, fidelidade e responsabilidade. Queridos
jovens, «na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o
importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por
toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não
se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam
revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto
peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório
que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir
responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu
tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de
“ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes!» (Encontro com os voluntários da JMJ do Rio, 28 de Julho de 2013).
Vós, jovens, sois bons exploradores! Se vos lançardes à descoberta do
rico ensinamento da Igreja neste campo, descobrireis que o cristianismo
não consiste numa série de proibições que sufocam os nossos desejos de
felicidade, mas num projecto de vida que pode fascinar os nossos
corações!
3. ...porque verão a Deus
No coração de cada homem e de cada mulher, ressoa sem cessar o convite do Senhor: «Procurai o meu rosto!» (Sal
27/26,8). Ao mesmo tempo, porém, sempre nos devemos confrontar com a
nossa pobre condição de pecadores. Assim o lemos, por exemplo, no livro
dos Salmos: «Quem poderá subir à montanha do Senhor e apresentar-se no
seu santuário? O que tem as mãos inocentes e o coração limpo» (Sal
24/23,3-4). Mas não devemos ter medo nem desanimar: vemos, na Bíblia e
na história de cada um de nós, que é sempre Deus quem dá o primeiro
passo. É Ele que nos purifica, para podermos ser admitidos à sua
presença.
O profeta Isaías, quando recebeu a chamada do Senhor para falar em
seu nome, ficou apavorado e disse: «Ai de mim, estou perdido, porque sou
um homem de lábios impuros» (Is 6,5). Mas o Senhor purificou-o,
enviando um anjo que tocou a sua boca e lhe disse: «Foi afastada a tua
culpa e apagado o teu pecado» (v. 7). No Novo Testamento, quando Jesus
chamou os seus primeiros discípulos e realizou o prodígio da pesca
miraculosa no lago de Genesaré, Simão Pedro caiu aos seus pés dizendo:
«Afasta-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (Lc 5,8). A resposta não se fez esperar: «Não tenhas receio; de futuro serás
pescador de homens» (v. 10). E, quando um dos discípulos de Jesus Lhe
pediu: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta», o Mestre repondeu:
«Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14,8.9).
Por isso, o convite do Senhor a encontrá-Lo é dirigido a cada um de
vós, independentemente do lugar e situação em que vos encontrardes.
Basta «tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia
a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este
convite não lhe diz respeito» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 3).
Todos somos pecadores, necessitados de ser purificados pelo Senhor. Mas
basta dar um pequeno passo em direcção a Jesus para descobrir que Ele
está sempre à nossa espera de braços abertos, especialmente no
sacramento da Reconciliação, ocasião privilegiada de encontro com a
misericórdia divina que purifica e recria os nossos corações.
Sim, queridos jovens, o Senhor quer encontrar-nos, deixar-Se «ver»
por nós. «E como?»: poder-me-íeis perguntar. Também Santa Teresa de
Ávila, nascida na Espanha precisamente há quinhentos anos, já de
pequenina dizia aos seus pais: «Quero ver a Deus». Depois descobriu o
caminho da oração como «uma relação íntima de amizade com Aquele por quem nos sentimos amados» (Livro da Vida
8,5). Por isso, pergunto-vos: Vós rezais? Sabeis que tendes
possibilidade de falar com Jesus, com o Pai, com o Espírito Santo, como
se fala com um amigo? E não um amigo qualquer, mas o vosso amigo melhor e
de maior confiança! Tentai fazê-lo, com simplicidade. Descobrireis
aquilo que um camponês d’Ars dizia ao santo cura do seu país: quando
estou em oração diante do Sacrário, «eu olho para Ele e Ele olha para
mim» (Catecismo da Igreja Católica, 2715).
Uma vez mais convido-vos a encontrar o Senhor, lendo frequentemente a Sagrada Escritura.
E, se não tiverdes ainda o hábito de o fazer, começai pelos Evangelhos.
Lede um pedaço cada dia. Deixai que a Palavra de Deus fale aos vossos
corações, ilumine os vossos passos (cf. Sal 119/118,105). Descobrireis que se pode «ver» a Deus também no rosto dos irmãos, especialmente os mais esquecidos: os pobres, os famintos, os sedentos, os forasteiros, os doentes, os presos (cf. Mt
25,31-46). Já alguma vez tivestes a experiência disto? Queridos
jovens, para entrar na lógica do Reino de Deus, é preciso reconhecer-se
pobre com os pobres. Um coração puro é necessariamente também um coração
despojado, que sabe abaixar-se e partilhar a sua vida com os mais
necessitados.
O encontro com Deus na oração, através da leitura da Bíblia e na vida
fraterna ajudar-vos-á a conhecer melhor o Senhor e a vós mesmos. Como
aconteceu com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35), a voz de
Jesus inflamará os vossos corações e abrir-se-ão os vossos olhos para
reconhecer a sua presença na vossa história, descobrindo assim o
projecto de amor que Ele tem para a vossa vida.
Alguns de vós sentem ou hão-de sentir a chamada do Senhor para o
matrimónio, para formar uma família. Hoje, muitos pensam que esta
vocação esteja «fora de moda», mas não é verdade! Precisamente por este
motivo, a Comunidade eclesial inteira está a viver um período especial
de reflexão sobre a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo
contemporâneo. Além disso, convido-vos a tomar em consideração a chamada
à vida consagrada ou ao sacerdócio. Como é belo ver jovens que abraçam a
vocação de se darem plenamente a Cristo e ao serviço da sua Igreja!
Ponde-vos a pergunta a vós mesmos com ânimo puro e não tenhais medo
daquilo que Deus vos pede! A partir do vosso «sim» à chamada do Senhor,
tornar-vos-eis novas sementes de esperança na Igreja e na sociedade. Não
esqueçais: a vontade de Deus é a nossa felicidade!
4. Em caminho para Cracóvia
«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt
5,8). Queridos jovens, como vedes, esta Bem-aventurança está
intimamente relacionada com a vossa vida e é uma garantia da vossa
felicidade. Por isso, repito-vos mais uma vez: tende a coragem de ser
felizes!
A Jornada Mundial da Juventude deste ano conduz à última etapa do
caminho de preparação para o próximo grande encontro mundial dos jovens
em Cracóvia, no ano de 2016. Precisamente há trinta anos, São João Paulo II
instituiu, na Igreja, as Jornadas Mundiais da Juventude. Esta
peregrinação juvenil através de todos os Continentes, sob a guia do
Sucessor de Pedro, foi verdadeiramente uma iniciativa providencial e
profética. Juntos, damos graças ao Senhor pelos preciosos frutos que a
mesma produziu na vida de tantos jovens por toda terra. Quantas
descobertas importantes, sobretudo as de Cristo, Caminho, Verdade e
Vida, e da Igreja como uma família grande e acolhedora! Quantas mudanças
de vida, quantas decisões vocacionais brotaram daqueles encontros! O
Santo Pontífice, Padroeiro das JMJ, interceda pela nossa peregrinação
rumo à sua Cracóvia. E o olhar materno da Bem-aventurada Virgem Maria, a
cheia de graça, toda bela e toda pura, nos acompanhe neste caminho.
Vaticano, 31 de Janeiro – Memória de São João Bosco – do ano 2015.
FRANCISCUS
sexta-feira, 18 de março de 2016
quinta-feira, 17 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
domingo, 13 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
sexta-feira, 11 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Uma rapariga segurava nas suas mãos duas maçãs. A sua mãe chegou e pediu-lhe com uma voz doce e um belo sorriso:
- Querida, poderias dar-me uma das tuas maçãs?
A menina levantou os olhos para a sua mãe durante alguns segundos e morde subitamente uma das maçãs e logo de seguida a outra. A mãe sente o seu rosto arrefecer e perde o sorriso. Ela tenta não mostrar a sua decepção quando a sua filha lhe dá uma das suas maçãs mordidas. A pequena olha para a sua mãe com um sorriso de anjo e diz:
- É essa a mais doce.
Pouco importa quem és, que tenhas experiência. Sê competente ou sábio. Atrasa sempre o teu julgamento. Dá aos outros o privilégio de se poderem explicar. Mesmo se a acção parece errada, o motivo pode ser bom.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Na memória da Igreja nascente, marcada pela experiência pascal, a história da salvação de Israel revela, por conseguinte, uma clara estrutura trinitária: o Deus dos pais guia e orienta esta história até Cristo, seu Filho, actuando no Espírito Santo, especialmente através dos profetas. A Trindade é a chave de compreensão da historia salutis!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
«Ao entregar-me ao mistério extraordinário e inatingível de Deus, surge em mim, em qualquer altura, um Deus completamente diferente, sem que disso tenha consciência. E então deixo de me questionar porque é que Ele permite o sofrimento. Olho apenas para o escuro abismo de Deus, para lá descobrir a luz do seu amor que silencia as minhas perguntas.»
In Que fiz eu para merecer isto?
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Mensagem de Sua Santidade Francisco para a XXIV Jornada Mundial do Doente
(Terra Santa - Nazaré, 11 de Fevereiro de 2016)
Tema: «Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)»
Amados irmãos e irmãs!
A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir
particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos
cuidam de vós.
Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na
Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica
das bodas de Caná (Jo 2,1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido – Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.
A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de
Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e
precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar
connosco» (Jo 1,14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão
salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos
refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque
me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a
libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em
liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do
Senhor» (4,18-19).
A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana
e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o
primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer
precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo
está perdido, que já nada tem sentido...
Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por
outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a
doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque
nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo
que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode
ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que
caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue
pela Mãe, Maria, perita deste caminho.
Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um
problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da
alegria da festa. Maria dá-Se conta da dificuldade, de certa maneira
assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito
menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-Se a Jesus e apresenta-Lhe o
problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2,3). E quando Jesus Lhe
faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-Se (cf. v. 4), Maria
diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus
realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho,
um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento
podemos tirar, para a Jornada Mundial do Doente, do mistério das bodas
de Caná?
O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está
Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos,
as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus
discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na
alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de
seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não
rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento
para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o
coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que
desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha
fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança,
fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de
Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo
bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o
Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em
toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles
que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos
recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos
de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2Cor 1,3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos.
Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua
missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa
necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos
de doenças, enfermidades e espíritos malignos, dará vista aos cegos,
fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos,
ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc
7,21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria – sugerido
pelo Espírito Santo ao seu coração materno – fez revelar-se não só o
poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia.
Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma
ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os
doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis,
porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à
cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor
idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas
mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em
primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino
de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e
ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt
11,4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles,
algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da
vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo
que o Pai nunca nega a quantos Lho pedem com confiança.
No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são
chamados «serventes» e que d’Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que
Ele vos disser» (Jo 2,5). Naturalmente, o milagre dá-se por
obra de Cristo; contudo Ele quer servir-Se da ajuda humana para realizar
o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas
vasilhas. Mas quer valer-Se da colaboração humana e pede aos serventes
que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser
serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos
faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para
servir» (Mc 10,45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho
dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente:
enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2,7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos.
Nesta Jornada Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus
misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d’Ele e nossa, que nos
conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e,
concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este
serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o
Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de
divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a
realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos
ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como
aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada
no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como
suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se
o Mestre (cf. Lc 9,23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido.
Se soubermos seguir a voz d’Aquela que recomenda, a nós também,
«fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa
vida em vinho apreciado. Assim, esta Jornada Mundial do Doente,
celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os
votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da
Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer
o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres
tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para
melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de
fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e
discriminação» (Misericordiae Vultus,
23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para
promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e
da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para
superar qualquer barreira e divisão.
Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio:
Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado
Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de
mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante
tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos
outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito
Santo, tornando-se instrumento de encontro com o mundo muçulmano.
A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados,
desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia.
«A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos
todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid.,
24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos.
Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente
com as alegrias e consolações, dirigindo-Lhe a nossa oração para que Ela
pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos
de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o
Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus.
Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Setembro – Memória de Nossa Senhora das Dores – do ano 2015.
Francisco
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2016
«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).
As obras de misericórdia no caminho jubilar»
As obras de misericórdia no caminho jubilar»
1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma
deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para
celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus,
17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas
para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra,
especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é
um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente
experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os
Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal
concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat,
a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de
Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja
que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do
Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na
tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo
etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.
2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história
da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se
sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar
sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos
momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto
e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na
justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e
próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido
traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis.
São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele,
Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a
Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus,
8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os
efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta
perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro
ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é
nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu
coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6,
4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua
Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas
núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um
lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a
beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e
ressuscitado» (Evangelii gaudium,
36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de
diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar,
duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a
Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador,
oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e
acreditar» (Misericordiӕ Vultus,
21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus
crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu
afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou
d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o
coração endurecido da sua Esposa.
3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe
experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de
misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa
irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do
próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de
misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se
traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso
próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados:
alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o
desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as
obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar
a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da
pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os
pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15).
Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como
corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de
ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid.,
15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história
do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na
presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica
patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita
reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais
pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a
utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para
sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais
que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua
disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao
ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da
sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que,
nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de
conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira
está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa
sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é
a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas
sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e
mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que
pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de
instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de
pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria
do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e
as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até
mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos
poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à
escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras
corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de
ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam
mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar,
perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais
nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no
miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em
dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta
estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o
Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são,
imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por
eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e
amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos
do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os
soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez
mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu
coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele
abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de
novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão:
«Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta
activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória
definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já
ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na
expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo
pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da
grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente,
reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
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