Os povos antigos viam no arco-íris um símbolo de paz e harmonia. Os antigos Hebreus viam nela um sinal particular, dado por Deus, para expressar a sua vontade de que todas as criaturas vivam e se desenvolvam na paz e na harmonia. "Quando o arco-íris aparecer nas nuvens, lembrar-me-ei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos" (cf. Gn. 9, 12-18)
Um dia aconteceu que todas as cores do mundo começaram a discutir. Cada uma proclamava que era a mais bela, a mais importante, a mais útil, a mais apreciada.
O VERDE dizia: "É claro que sou a cor mais importante. Sou o símbolo da vida e da esperança. Fui escolhida para a erva, as árvores, as folhas. Sem mim, os animais morreriam. Olhai os campos e vede como domino todas as cores."
O AZUL interrompeu: "Tu só pensas na terra, mas olha o céu e o mar. É a água que está na origem da vida e as nuvens formam-se a partir do mar tão azul. O céu dá o espaço, a paz e a serenidade. Sem a minha paz não fazeis senão correr atrás das pequenas coisas."
O AMARELO sorria ironicamente: "Sois todos muito sérios. Eu trago ao mundo o riso, a alegria, o calor. O sol é amarelo, a lua é amarela e as estrelas são amarelas. Cada vez que olhais um girassol todo o mundo sorri. Sem mim não haveria graça."
O LARANJA fez soar a sua trombeta: "Sou a cor da saúde e da força. Não me vêem muitas vezes, mas sou precioso, porque estou ao serviço das necessidades básicas dos seres humanos. Sou portador das vitaminas mais importantes. Pensai nas cenouras, nas abóboras, nas laranjas, nas mangas e nas papaias. Nem sempre a minha presença é evidente, mas quando encho o céu, ao nascer ou ao pôr-do-sol, a minha beleza é tão resplandecente que toda a gente pensa mais em mim do que em vós."
O VERMELHO não pôde conter-se e pôr-se a gritar: "Sou o soberano de todos, o sangue. E o sangue é a vida. Sou a cor do perigo e da coragem. Estou pronto a lutar por uma causa. No meu sangue trago o fogo. Sem mim a terra seria tão vazia como a lua. Sou a cor da paixão e do amor; sou a rosa vermelha, o azevinho e a papoila."
O VIOLETA, erguendo-se com toda a majestade, falou solenemente: "Sou a cor da beleza e do poder. Os réis, os chefes e os bispos sempre me escolheram, porque sou o símbolo da autoridade e da sabedoria. Ninguém me contesta. Todos me escutam e obedecem."
O AZUL ESCURO falou mais calmamente que todos os outros, mas com determinação: "Pensai em mim. Sou a cor do silêncio. Dificilmente dais conta da minha presença, mas sem mim tornar-vos-eis muito superficiais. Represento a meditação e reflexão, o crepúsculo e as águas profundas. Tendes necessidade de mim para o equilíbrio e o contraste, para a oração e para a paz interior."
E todas as cores continuaram a vangloriar-se, cada uma convencida de que era a melhor. A sua discussão inflamou-se cada vez mais... De repente, um relâmpago cegou-as com a sua luz branca, seguindo-se de uma forte trovoada. Uma chuva implacável começou a cair. Cheias de medo, as cores caíram por terra, agarrando-se umas às outras para se protegerem.
Então a CHUVA falou: "Cores insensatas, por que discutis, tentando cada uma de vós dominar as outras? Não sabeis que Deus criou cada uma de vós para um fim concreto, único e diferente? Ele ama-vos a todas, quer que todas existam. Dai-vos as mãos e vinde comigo. Vou colocar-vos no céu, num grande arco colorido como um sinal do seu amor para todas vós: podeis viver todas juntas, em paz. Ele prometeu estar convosco como sinal de esperança para o amanhã."
Por isso, cada vez que Deus faz cair a chuva torrencial para lavar o mundo, coloca nas nuvens um arco-íris para que ao vê-lo, nos lembremos do seu desejo: que todos nos saibamos estimar uns aos outros.
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