Bem Vindo

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Boneca

Fui ao mercado comprar uns presentes. Quando vi todas aquelas pessoas, comecei a reclamar comigo mesmo: “Isto vai demorar a vida toda e ainda tenho tantas coisas para fazer e outros lugares para ir.”
Como gostava de poder deitar-me, dormir e só acordar após ter passado toda a barafunda. Sem notar, andei até à secção de brinquedos e lá, comecei a bisbilhotar os preços e imaginar se as crianças realmente brincam com esses brinquedos tão caros.
Enquanto olhava a secção de brinquedos, notei um menino de mais ou menos 5 anos a agarrar uma boneca contra o peito. Ele acarinhava o cabelo da boneca e olhava-a tão triste que tentei imaginar para quem seria aquela boneca que tanto apertava.
O menino virou-se para uma senhora junto dele e disse: “Avó, tens a certeza que não tenho dinheiro suficiente para comprar esta boneca?” A senhora respondeu: “Sabes que o teu dinheiro não é suficiente, meu querido!” E perguntou ao menino se ele podia ficar ali a olhar para os brinquedos por mais 5 minutos, enquanto iria ver outras coisas.
O menino continuava a segurar a boneca nas suas mãos. Finalmente, comecei a andar na sua direcção e perguntei-lhe a quem queria dar aquela boneca e ele respondeu: “Esta é a boneca que a minha irmã mais adorava. Ela acreditava que o nosso pai lha daria este ano.”
Eu disse-lhe: “Não fiques tão preocupado, acho que ele irá dar a boneca à tua irmã.” Mas ele triste disse-me: “Não, o pai não poderá levar-lhe a boneca onde ela está. Tenho que dar a boneca à minha mãe e ela poderá dar a boneca à minha irmã, quando ela for lá.”
Os seus olhos encheram-se de lágrimas enquanto falava: “A minha irmã teve que ir embora para sempre. O pai disse-me que a mãe também irá embora para perto dela, me breve. Então, pensei que a mãe poderia levar a boneca e entregá-la à minha irmã.”
O meu coração parou de bater. Aquele menino olhou para mim e disse: “Eu disse ao pai para dizer à mãe para não ir ainda. Eu pedi-lhe que esperasse até eu voltar do mercado.” Depois ele mostrou-me uma foto muito bonita dele rindo e disse-me: “Eu também quero que a mãe leve esta foto, assim ela não se esquecerá de mim.
Eu amo a minha mãe e não quero que ela parta agora, mas o meu pai disse que ela tem de ir para ficar com a minha irmãzinha.” Aí ele ficou a olhar para a boneca com os olhos tristes e muito quieto. Eu rapidamente procurei a minha carteira e peguei nalgumas notas e disse para o garoto: “E se contássemos novamente o teu dinheiro, só para termos certeza de que tens dinheiro para comprar a boneca?”
Juntei as minhas notas ao dinheiro dele, sem que ele se apercebesse e começámos a contar. Depois de contarmos, o dinheiro dava para comprar a boneca e ainda sobravam uns trocos. E o menino orou: “Obrigado Senhor por atenderes o meu pedido e teres-me dado dinheiro para comprar a boneca.”
Aí, ele olhou-me e disse: “Ontem antes de dormir, pedi a Deus que fizesse para que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar a boneca e assim a mãe a poder levar. Ele ouviu-me… e eu também queria dinheiro para comprar uma rosa amarela para a minha mãe, mas não ousei pedir-Lhe mais nada.
E Ele deu-me o dinheiro suficiente para comprar a boneca e a rosa amarela. Sabe, a mãe adora rosas amarelas.” Uns minutos depois, a senhora voltou e eu fui-me embora sem ser notado. Terminei as compras num estado de espírito totalmente diferente daquele com que havia começado. Entretanto, não consegui tirar aquele menino do pensamento.
Então lembrei-me de uma notícia no jornal local, já com dois dias, quando mencionava que um homem bêbedo, numa camioneta, bateu num carro onde estavam uma jovem senhora e uma menininha. A criança havia falecido de imediato e a mãe estava em estado grave no hospital e que a família havia decidido desligar as máquinas, uma vez que a jovem não sairia do estado de coma.
Pensei se seria a família daquele menino? Dois dias depois após o meu encontro, li no jornal que a jovem senhora havia falecido. Eu não pude conter-me e saí para comprar um ramo de rosas amarelas e fui ao velório daquela jovem… Ela segurava uma linda rosa amarela nas suas mãos, junto com a fotografia do menino e com a boneca ao peito.
Deixei o local a chorar, senti que a minha vida tinha mudado para sempre. O amor daquele menino pela sua mãe e irmã continua gravado na minha memória até hoje. É difícil de acreditar e imaginar que numa fracção de segundo, um bêbedo tenha tirado tudo aquele menino.

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