Bem Vindo

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Velha Rabugenta

Quando uma velha senhora morreu na secção para o tratamento para doenças da velhice numa pequena clínica perto de Dundee, na Escócia, todos estavam convencidos de que ela não havia deixado nada de valor.
Então, quando as enfermeiras verificaram os seus poucos pertences, elas encontraram um texto. A sua qualidade e conteúdo impressionaram todas as pessoas, e todas as enfermeiras queriam uma cópia da mesma.
Uma delas levou uma cópia para a Irlanda. A única herança que a velha deixou aos seus sucessores foi publicada na edição de Natal da notícia da União para a Saúde Mental na Irlanda do Norte.
Então, esta velha senhora da Escócia, sem posses materiais para deixar ao mundo, é a autora deste poema «anónimo» que circula na Internet.

Que vêem amigas? Que vêem? Que pensam quando me olham?
Uma velha rabugenta não muito inteligente de hábitos incertos, com os seus olhos sonhadores fixos ao longe?
A velha que cospe comida que não responde ao tentar ser convencida... «De, fazer um pequeno esforço?»
A velha, que vocês acreditam que não se dá conta das coisas que vocês fazem e que continuamente perde a sua escova ou o sapato?
A velha, que contra a sua vontade, mas humildemente lhes permite a fazer o que queiram, que me banhem e me alimentem só para o dia passar mais depressa...
É isso que vocês acham? É isso que vocês vêem? Se assim for, abram os olhos, amigas, porque isso que vocês vêem não sou eu!
Vou dizer-lhes quem sou, quando estou sentada aqui, tão tranquila como me ordenaram...
Sou uma menina de 10 anos, que tem pai e mãe, irmãos e irmãs que se amam.
Sou uma jovenzinha de 16 anos. Com asas nos pés e que sonha encontrar o seu amado.
Sou uma noiva aos 20, que o coração salta nas lembranças, quando fiz a promessa que me uniu até ao fim dos meus dias com o AMOR da minha vida.
Sou ainda uma moça com 25 anos, que tem os seus filhos, que precisam que eu os guie... Tenho um lugar seguro e feliz!
Sou a mulher com 30 anos. Onde os filhos crescem rápido, e estamos unidos com laços que deveriam durar para sempre...
Quando tenho 40 anos, os meus filhos já cresceram e não estão em casa... Mas ao meu lado está o meu marido que me acalenta quando estou triste.
Aos 50, mais uma vez comigo deixam os bebés, meus netos, e de novo tenho a alegria das crianças, meus entes queridos junto a mim.
Aos 60 anos, sobre mim nuvens escuras aparecem, o meu marido está morto; e quando olho o meu futuro arrepio-me toda de terror.
Os meus filhos foram-se, e agora têm os seus próprios filhos... Então penso em tudo o que aconteceu e no amor que conheci.
Agora sou uma velha. Que cruel é a natureza... A velhice é uma piada que tranforma um ser humano num alienado.
O corpo murcha, os atractivos e a força desaparecem. Ali, onde uma vez teve um coração agora há uma pedra.
No entanto, nestas ruínas, a menina de 16 anos ainda está viva. E o meu coração cansado, ainda está repleto de sentimentos vivos e conhecidos.
Recordo os dias felizes e tristes, nos meus pensamentos volto a amar e a viver o meu passado.
Penso em todos esses anos. Que foram, ao mesmo tempo poucos, mas que passaram muito rápido, e aceito o inevitável... Que nada pode durar para sempre...
Por isso, abram os seus olhos e vejam diante de vós não está uma velha mal-humorada. Diante de vós estou apenas «EU...» uma menina, mulher e senhora viva...!! E com todos os sentimentos de uma vida...

Lembrem-se deste texto da próxima vez que encontrares-te com uma pessoa idosa mal-humorada e não a rejeites, sem olhar primeiro a sua Alma Jovem...
Tu... vais estar algum dia no seu lugar...

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