Luz
para toda a humanidade
A celebração do Natal
conduz-nos
, anualmente,
a revisitar a certeza de que, apesar da
desumanidade
presente
em tantas situações do mundo de hoje, Deus continua a
assumir a nossa
humanidade.
Sucedem-se os
conflitos implacáveis, em diversas partes do mundo, que destroem e matam
indiscriminadamente; multiplicam-se
os
atentados sem escolher lugares e vítimas, que semeiam o
medo, o terror e a morte inocente; sentimo-nos impotentes perante o drama e
até mesmo o
desfecho
trágico dos refugiados; a pobreza de muitos, em todas as suas formas, manifestações e consequências,
também entre nós, continua a contrastar com a abundância desmedida de poucos...
Deus continua, em cada Natal, a recordar-nos que não desiste de nós
e a tornar-se presente como
Luz
que ilumina e desfaz as trevas que
envolvem
a nossa existência:
o povo que andava nas trevas
viu uma grande luz
(Is
9, 1).
Luz
que brota do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade; um
rosto indefeso de criança, cuja contemplação
convida a eliminar
todas as formas de violência e de
“desumanidade”; um rosto que revela a
autêntica
sabedoria, e a todos dirige uma
proposta
eficaz
para
construir um mundo verdadeiramente humano.
Celebrar o Natal é deixar-se atrair e iluminar
pelo brilho desta
Luz; é deixar-se purificar e
aquecer
pelo seu calor. Ela continua hoje, como há dois mil anos na simplicidade da gruta de Belém,
a indicar o caminho da construção da verdadeira
paz.
Disso são testemunho os primeiros a deixar-se
iluminar por esta
Luz
. Os Magos vindos de longe, oriundos de culturas e raças diferentes, regressaram
por outro caminho,
após o encontro com Jesus,
bem como os pastores que
regressaram, glorificando
e louvando a Deus por tudo o que tinham
ouvido e visto
(Lc
2, 20).
O mundo precisa urgentemente
desta
Luz
que vem do Alto,
atrai a si todos os povos e a todos
orienta no caminho da partilha fraterna e do bem comum.
A missão da Igreja e de cada discípulo de
Cristo é refletir esta
Luz. Este é o seu
serviço ao mundo: iluminar todas as realidades humanas,
particularmente as situações onde a escuridão é mais densa.
Neste
ano
pastoral
em que, como Igreja diocesana, somos
chamados com Maria a ser discípulos
e testemunhas do Evangelho da Alegria e do Amor, queremos aprender com ela a contemplar esta
Luz.
Ela
“ensina-nos a aprender o segredo da alegria cristã, lembrando-nos que o cristianismo é, antes
de tudo, Evangelho, boa notícia que tem o seu centro e o seu conteúdo na pessoa de Jesus Cristo, o
Verbo feito carne, único Salvador do Mundo” (RVM
20).
Como
Maria, a
Igreja é chamada a acolher
em si o mistério de Deus que nela habita... a refletir cada vez mais o rosto de Cristo, no qual Deus
revela de forma visível o seu amor e a sua misericórdia para com todos.
A misericórdia é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro;
é a lei
fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra
no caminho da vida; é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança
de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado
(cf
MV
2), presente em todas as
situações “desumanas” que nos envolvem.
Não nos deixemos vencer pela “indiferença”, cada vez mais globalizada, que anestesia
a fé,
silencia a consciência,
conduz ao descompromisso solidário, abafa esta
Luz que brilha nas trevas
e
mata o espírito do Natal.
Aprendamos com Maria, a edificar uma Igreja que seja “uma casa para
muitos, uma Mãe para todos” (EG
288).
A todos formulo votos de um SANTO E FELIZ NATAL!
Para todos invoco as bênçãos do Deus-Menino!
Façamo-nos mensageiros desta
Luz
que, desde Belém, continua a brilhar para nós e para todos.
Manuel Quintas, Bispo do Algarve
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